Quando ela cai no sofá, so far away... Vinho à beça na cabeça, eu que sei...





" Então mergulho no meu sonho absurdo entre carros, conchas, búzios, entre os peixinhos do mar. Lembro Caymmi, Rubem Braga, João de Barro e sigo no itinerário da princesinha do mar. No mar, oh, oh, no mar... " Ai de Ti, Copacabana - Alceu Valença



Perdoe-me o atraso... Mas aqui estou eu na árdua e prazerosa tarefa de atualizar esse blog. Quanto às poucas palavras no post passado, explico, também com poucas palavras que aquilo tudo já passou... Muitas vezes achamos que as coisas podem dar certo. Às vezes, elas dão. Outras não. Fico com essa última. Muitas vezes achamos que o amor pode durar. Às vezes dura uma eternidade. Outras, uma semana. Fico com a última novamente. E sem nenhum sentimento de tristeza, aqui está um poema, o que de fato há tanto tempo eu não fazia... Mas isso é apenas uma fase. Como dizia Drummond: 'A vida necessita de pausas.' Esse post servirá para te dizer, amigo leitor, que mesmo parecendo longe, eu sempre me encontro com a poesia. E como diz Herbert Vianna: 'Todo amor, todo amor dorme numa caixa, numa gaveta, numa sala escura que às vezes visito como hoje num sonho. [...] E o tempo, senhor dos enganos apaga os momentos sofridos e aqui te traz vez por outra a passar umas horas comigo. Ficamos nós dois entre os sonhos de amores novos e antigos. Te beijo no escuro silêncio da sala que às vezes visito.' E na sala que às vezes visito não está apenas o amor, que esqueço de acreditar. Está a poesia também. Mas nessa eu sempre acredito. Até.




Praia de Pensamentos - Ana Carolina Biavati


Sou areia.
Passo pelo tempo, corro pelas mãos.
Livre.
Nada me prende e me faz parar.
Confesso que é isso o que sempre quis.
Sou onde a onda bate, mansa.
Sou o que a brisa carrega, leve.
As cores por mim passeiam, vivas.
Os temporais lavam minha alma, fresca.
No fundo das coisas e dos dias estou.
Em mim, me encontro e sou.
A sede de sol inebria minha garganta.
A mente descansa, insana sempre.
A insensatez dos segundos é minha companheira.
Cai a chuva.
A escassez de idéias vai embora.
Eu me atiro rumo à luz por entre as negras nuvens.
O incompleto vão dos pensamentos hoje é praia.
Por um instante sei bem o que dizer.
Essas palavras tornam-se mais que um poema.
Voam livres pelas linhas.
São mais fortes que o tempo, existem por essas mãos.
Livres.
Essas palavras são areia.



Chão de Giz - Zé Ramalho


Eu desço dessa solidão, espalho coisas sobre um chão de giz
Há meros devaneios tolos a me torturar

Fotografias recortadas de jornais de folhas amiúde
Eu vou te jogar num pano de guardar confetes
Eu vou te jogar num pano de guardar confetes


Disparo balas de canhão, é inútil pois existe um grão vizir
Há tantas violetas velhas sem um colibri
Queria usar quem sabe uma camisa de força ou de vênus

Mas não vão gozar de nós apenas um cigarro
Nem vou lhe beijar gastando assim o meu batom


Agora pego um caminhão, na lona vou a nocaute outra vez
Pra sempre fui acorrentado no seu calcanhar
Meus vinte anos de "boy, that's over, baby" , Freud explica
Não vou me sujar fumando apenas um cigarro
Nem vou lhe beijar gastando assim o meu batom
Quanto ao pano dos confetes já passou meu carnaval
E isso explica porque o sexo é assunto popular
No mais estou indo embora...





DARIEN STEPHANIE Ana Carolina Deixe seu comentário rasgado... 3:32 PM


Anhélame, retiéneme. La embriaguez a la sombra florida de tus ojos, las caídas, los triunfos, los saltos de la fiebre. Ámame, ámame, ámame. De pie te grito: quiéreme.





"Não te quero senão porque te quero e de querer-te a não querer-te chego e de esperar-te quando não te espero passa meu coração do frio ao fogo." Soneto LXVI - Pablo Neruda



Hoje é simplesmente isso. Porque o desejo fala por mim. E eu ainda sei controlar-me. Deixo o mestre falar... e traduzir o que sinto.


Déjame Sueltas Las Manos - Pablo Neruda


Deixe-me soltas as mãos
e o coração, deixa-me livre!
Deixa que meus dedos corram
pelos caminhos do teu corpo.
A paixão - sangue, fogo, beijos -
me incendeia a ardentes trêmulas.
Ai, você não sabe o que é isto!

É a tempestade dos meus sentidos
dobrando a selva sensível dos meus nervos.
É a carne que grita com suas ardentes línguas!
É o incêndio!
E aqui estás, mulher, como um tronco intacto
agora que voa toda minha vida feito cinzas
fazia teu corpo cheio, como a noite, de astros!


Deixa-me as mãos livres
E o coração, deixa-me livre!
Eu só te desejo, eu só te desejo!
Não é amor, é o desejo que se
aproveita e se extingue,
É precipitação de fúrias,
Proximidade do impossível,
Mas está você,
Está para dar-me tudo,
E a dar-me o que tem a terra
Como eu para te conter,
E desejar-te,
E receber-te!



Desejo-te.



DARIEN STEPHANIE Ana Carolina Deixe seu comentário rasgado... 10:20 PM


I guess you say what can make me feel this way... my girl, my girl, my girl... Talking about my girl, my girl.






"Mama, mama you're the queen of my heart, your love is like tears from the stars, mama, I just want you to know lovin' you is like food to my soul." A Song For Mama - Boyz To Men


"You were there for me to love and care for me when skies were grey whenever I was down you were always there to comfort me and no one else can be what you have been to me you'll always be, you will always be the girl in my life for all times." A Song For Mama - Boyz To Men




Me dei conta essa semana que ainda não havia falado da minha mãe aqui. E nada mais perfeito do que falar dela na semana das mães! (Dã) Mas talvez esse seja um dos maiores desafios quando se trata de escrever... Não há como definí-la. Adjetivos como "guerreira", "forte", "batalhadora", "linda", "perfeita" e coisas do tipo são pouco. Ainda não inventaram palavra capaz de aglutinar tudo isso. Quer dizer, na verdade inventaram sim: MÃE. Cabe tudo aí. Impressionante. Tudo no meio daqueles braços milagrosos e curativos. Hoje não fiz poema, música, ou qualquer outra coisa que tentasse codificar o sentimento. Porque não há. Não dessa vez. Eu simplesmente não posso arrancar meu coração do peito e colar aqui. Ultimamente não acredito muito em amor romântico. Não acredito nas pessoas. E em tantas outras coisas. Mas como diz uma música que gosto muito do Simply Red : "I don't believe in many things but in you I do." À minha mãe, todo o meu amor e tudo que sou e enfim posso ser. Obrigada. E feliz dia das mães a todas as mães! Inclusive a sua, leitor. E aqui vai uma das músicas que dediquei à minha mãezinha... com a maestria do Sr. Sinatra. (E isso tudo também à minha avó, mãe da minha mãe... por tudo que ela é pra mim.)




The Way You Look Tonight - Frank Sinatra

Someday, when I'm awfully low
Algum dia, quando eu estou deprimida
When the world is cold
Quando o mundo é frio
I will feel a glow, just thinking of you
Eu vou sentir um calor, apenas pensando em você
And the way you look tonight
E no jeito que você está essa noite.

Yes, you're lovely
Sim, você é amável
With your smile so warm
Com seu sorriso tão acalentador
And you cheeks so soft
E você se movimenta tão docemente
There is nothing for me, but to love you
Não há nada para mim a não ser amar você
And the way you look tonight
E o jeito que você está essa noite

With each word your tenderness grows
Com cada palavra, sua ternura aumenta
Tearing my fear apart
Afastando meu medo
And that laugh
E essa risada
That wrinkles your nose
Que enruga o seu nariz
Touches my foolish heart
Toca meu tolo coração

Lovely, never never change
Amável, nunca, nunca mude
Keep that breathless charm
Mantenha esse charme que me deixa sem fôlego
Won't you please arrange it
Vamos combinar assim
Cause I love you
Porque eu amo você
Just the way you look tonight
Do jeito exato como está essa noite.



Dessa vez é simplesmente isso mesmo, como o amor que sinto pela minha mãe... simples, exato, eterno.




DARIEN STEPHANIE Ana Carolina Deixe seu comentário rasgado... 2:21 PM

"Poetas não são aqueles que escrevem poesia, mas todos os que tem o coração cheio deste espírito sagrado."

Kahlil Gibran
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Os Poemas Rasgados são aqueles que se permitem existir através da emoção. Quando suas mãos traduzem o sentimento, que rasga o peito, para transformar-se em palavra. Em poesia.




"Escrever é estar no extremo de si mesmo, e quem está assim se exercendo nessa nudez, a mais nua que há, tem pudor de que outros vejam o que deve haver de esgar, de tiques, de gestos falhos, de pouco espetacular na torta visão de uma alma no pleno estertor de criar. João Cabral de Melo Neto"




"O poeta é um fingidor, finge tão completamente que chega a fingir que é dor a dor que deveras sente. E os que lêem o que escreve, na dor lida sentem bem, não nas duas que ele teve, mas só a que eles não têm. E assim nas calhas de roda gira a entreter a razão este comboio de corda que se chama o coração. Fernando Pessoa"



Estou Assim:






Música da Semana:



Chão de Giz - Zé Ramalho





Eu:


"A Ana faz Poemas Rasgados, a Carolina e seus defeitos que eu nem sei mais quantos e quais são, é talvez a que não viu o tempo passar na janela. E a Ana Carolina está por aí, sempre... pra onde for o vento, ela vai." Minha inconstância sorri. Ficar parada eu não aguento. Se eu tento esconder meias-verdades, meu sorriso não disfarça e me entrega. Assim mesma eu sou. Sou de qualquer jeito. NEM TUDO EU RESPEITO.




Meu:


Fotolog

Orkut

Coisas Belas e Sujas




Rasgados:



À Flor da Pele

Anything But Ordinary

Caderno de Sonhos

Cruzes

Diamond Princess

Gnomo Ninja

Diário Avatar

Esferográfica Azul

In Certos Caminhos

Infinita Sonhadora

Inverno Em Mim

Os Imorais

Lune

Mania de Intimidade

Meu Enigma

No Banheiro Feminino

Patolinus

Peetols

Placebos

Prelude to Mistery

Sentimentos

Ser Viajante

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